Diante do relato de alguns
profissionais percebemos que as escolas no Brasil oferecem o mínimo possível
para que essa inclusão se dê de fato. Ao questionarmos a professora Fernanda Tuma,
especializada em Educação Especial e que atua no Ensino Infantil no Distrito
Federal, sobre como é a rotina dela com essa realidade, ouvimos que para ela o
principal desafio é conseguir fazer com que essa criança seja inserida na
sociedade, através da convivência com outras pessoas, respeitando suas
diferenças e seu ritmo. O acolhimento é muito importante para que haja sua
socialização. Ao que ela percebe geralmente, a criança é bem aceita pelos
outros alunos. É claro que há todo um trabalho de conscientização e aceitação
do outro. Muitas vezes, a criança com deficiência é tratada como se fosse o
“bebe” da turma, com todos os alunos querendo ajudar de alguma forma. Ela
enfatiza que para diminuir as diferenças é preciso uma preparação a através de
conversas e esclarecimento para que os outros alunos consigam receber esta
criança “naturalmente”. É claro que, dependendo da deficiência, alguns
demonstram estranheza. Porém com a convivência, acabam entendendo suas
diferenças o que favorece para uma boa socialização. Ela relata que trabalha
com turmas reduzidas e inclusivas, tendo 14 alunos ditos ‘normais’ e um TGD
(autista) e que também tem uma sala exclusiva para alunos especiais que possuem
deficiências como Autismo, quando estes não têm condições de estarem em salas
comuns. Para ela é gratificante ver a criança especial desenvolvendo, se
socializando, se relacionando com outras pessoas, ou seja, que pode sentir-se
amada e aceita, mas ressalta que esse trabalho é feito respeitando seu ritmo e
particularidades.
Ao compartilhar
suas experiências, a professora Maria de Fátima Ferreira de Almeida, da Escola Municipal
Alto da Boa Vista, diz que nos últimos dez anos foi um período em que a
inclusão se tornou realidade nas escolas, atendendo esses novos alunos e ao mesmo
tempo os educadores aprendem, pois ensinar crianças e jovens com necessidades
educacionais especiais (NEE) ainda é um grande desafio. Ela avalia que ter um
aluno com deficiência em sala de aula ainda é muito difícil, pois às vezes não
em acesso aos recursos disponíveis na escola, até mesmo a falta de algumas
adaptações para o aluno. Ela que trabalha com alunos que têm paralisia cerebral
que é um tipo de deficiência física e apresenta essencialmente um
comprometimento neuromotor e alguns deles necessitam de adaptações complexas e
individualizadas. Segunda ela, existem parcerias para o aprimoramento do
atendimento a esses alunos e a produção de materiais que viabilizam o acesso ao
ambiente e o conhecimento escolar, de forma a garantir com autonomia o acesso,
a permanência e a participação na escola. Nesse caso ela usa materiais
pedagógicos adaptados às condições de manipulações e de uso da criança, sendo
que, para isso a criatividade e a inventividade do professor são fundamentais,
como por exemplo, a confecção de letras e números sempre com o tamanho de
acordo com a visualização e a capacidade de manipulação e compreensão da
criança e com isso obter resultados satisfatórios.
Para a
professora Carla Batista, que trabalha há 15 anos como educadora, a relação professor
e aluno deve ser de total igualdade, mas respeitando as restrições pessoais,
com suas características e capacidade de aprendizagem. Ela observa que a
interação entre alunos com deficiências e os demais é importante, pois todos
terão a oportunidade de vivenciar valores e praticar a cooperação, a
solidariedade e todos vão crescer sabendo que existem pessoas com deficiências
e de forma natural tê-las em seu convívio.
“A
construção de uma sociedade inclusiva é um processo de fundamental importância
para o desenvolvimento de cada ser humano. A inclusão nada mais é do que a
garantia a todos do acesso contínuo ao espaço comum da vida em sociedade.
Sociedade essa que deve estar orientada a aceitar as diferenças individuais do
coletivo no desenvolvimento como parte integrante e essencial na inclusão
educacional.” Carla Batista
“Quando a
escola tiver condições de incluir, de respeitar e de trabalhar com todas as
diferenças num processo de igualdade de oportunidades, certamente aqueles que
hoje são considerados menos favorecidos pelo sistema educacional, político e
social poderão ter melhores condições de acesso e de participação efetiva não
somente à educação, como ao trabalho e ao lazer, assim como a todas as mudanças
estruturais necessárias que garantam seus direitos de cidadão”. Disponível em: Desenvolvimento
e Educação Infantil. Criança & Vida – Ano IV – Março/Abril 2002 – Fundação
Orsa. Vayer, P & Roncin, C. Integração da criança deficiente na classe. São
Paulo: Manole, 1989.
A reportagem do Jornal Correio Braziliense retrata a realidade das dificuldades que encontramos em nossa cidade sobre a Educação Inclusiva. Acesse em
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