quinta-feira, 21 de maio de 2015


Diante do relato de alguns profissionais percebemos que as escolas no Brasil oferecem o mínimo possível para que essa inclusão se dê de fato. Ao questionarmos a professora Fernanda Tuma, especializada em Educação Especial e que atua no Ensino Infantil no Distrito Federal, sobre como é a rotina dela com essa realidade, ouvimos que para ela o principal desafio é conseguir fazer com que essa criança seja inserida na sociedade, através da convivência com outras pessoas, respeitando suas diferenças e seu ritmo. O acolhimento é muito importante para que haja sua socialização. Ao que ela percebe geralmente, a criança é bem aceita pelos outros alunos. É claro que há todo um trabalho de conscientização e aceitação do outro. Muitas vezes, a criança com deficiência é tratada como se fosse o “bebe” da turma, com todos os alunos querendo ajudar de alguma forma. Ela enfatiza que para diminuir as diferenças é preciso uma preparação a através de conversas e esclarecimento para que os outros alunos consigam receber esta criança “naturalmente”. É claro que, dependendo da deficiência, alguns demonstram estranheza. Porém com a convivência, acabam entendendo suas diferenças o que favorece para uma boa socialização. Ela relata que trabalha com turmas reduzidas e inclusivas, tendo 14 alunos ditos ‘normais’ e um TGD (autista) e que também tem uma sala exclusiva para alunos especiais que possuem deficiências como Autismo, quando estes não têm condições de estarem em salas comuns. Para ela é gratificante ver a criança especial desenvolvendo, se socializando, se relacionando com outras pessoas, ou seja, que pode sentir-se amada e aceita, mas ressalta que esse trabalho é feito respeitando seu ritmo e particularidades.
Ao compartilhar suas experiências, a professora Maria de Fátima Ferreira de Almeida, da Escola Municipal Alto da Boa Vista, diz que nos últimos dez anos foi um período em que a inclusão se tornou realidade nas escolas, atendendo esses novos alunos e ao mesmo tempo os educadores aprendem, pois ensinar crianças e jovens com necessidades educacionais especiais (NEE) ainda é um grande desafio. Ela avalia que ter um aluno com deficiência em sala de aula ainda é muito difícil, pois às vezes não em acesso aos recursos disponíveis na escola, até mesmo a falta de algumas adaptações para o aluno. Ela que trabalha com alunos que têm paralisia cerebral que é um tipo de deficiência física e apresenta essencialmente um comprometimento neuromotor e alguns deles necessitam de adaptações complexas e individualizadas. Segunda ela, existem parcerias para o aprimoramento do atendimento a esses alunos e a produção de materiais que viabilizam o acesso ao ambiente e o conhecimento escolar, de forma a garantir com autonomia o acesso, a permanência e a participação na escola. Nesse caso ela usa materiais pedagógicos adaptados às condições de manipulações e de uso da criança, sendo que, para isso a criatividade e a inventividade do professor são fundamentais, como por exemplo, a confecção de letras e números sempre com o tamanho de acordo com a visualização e a capacidade de manipulação e compreensão da criança e com isso obter resultados satisfatórios.
Para a professora Carla Batista, que trabalha há 15 anos como educadora, a relação professor e aluno deve ser de total igualdade, mas respeitando as restrições pessoais, com suas características e capacidade de aprendizagem. Ela observa que a interação entre alunos com deficiências e os demais é importante, pois todos terão a oportunidade de vivenciar valores e praticar a cooperação, a solidariedade e todos vão crescer sabendo que existem pessoas com deficiências e de forma natural tê-las em seu convívio.
“A construção de uma sociedade inclusiva é um processo de fundamental importância para o desenvolvimento de cada ser humano. A inclusão nada mais é do que a garantia a todos do acesso contínuo ao espaço comum da vida em sociedade. Sociedade essa que deve estar orientada a aceitar as diferenças individuais do coletivo no desenvolvimento como parte integrante e essencial na inclusão educacional.” Carla Batista

“Quando a escola tiver condições de incluir, de respeitar e de trabalhar com todas as diferenças num processo de igualdade de oportunidades, certamente aqueles que hoje são considerados menos favorecidos pelo sistema educacional, político e social poderão ter melhores condições de acesso e de participação efetiva não somente à educação, como ao trabalho e ao lazer, assim como a todas as mudanças estruturais necessárias que garantam seus direitos de cidadão”. Disponível em: Desenvolvimento e Educação Infantil. Criança & Vida – Ano IV – Março/Abril 2002 – Fundação Orsa. Vayer, P & Roncin, C. Integração da criança deficiente na classe. São Paulo: Manole, 1989.    

A reportagem do Jornal Correio Braziliense retrata a realidade das dificuldades que encontramos em nossa cidade sobre a Educação Inclusiva. Acesse em 

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